sábado, 15 de outubro de 2016

O nosso Piloto Manibelas, Parte II


Mas a conversa azedou.

Arribados a Kandang, o nosso imediato sr Pardal que inicialmente tinha  achado alguma graça ao nosso piloto, ao reparar num certo esgar algo malicioso na cara do rapaz a desembarcar, interpretou-o como gozo, e não gostou.

Vieram a lume discussões antigas nos bares da Malásia  e nos lupanares de Singapura, com o mesmo piloto, e daí até se ameaçarem mutuamente, foi um ápice.
Por sorte entrou naquele preciso momento na camarinha o Mestre Tobias que vinha fazer a sua visita ao sobrinho e, porque não dizê-lo, receber a sua ‘avença’ do nosso armador.

O Mestre Tobias tinha sido contratado pelo governo indonésio para formar mestres de traineiras para a pesca da sardinha no indico. Mas, com a sardinha não abundava por aqueles mares e , diga-se, também não era muito apreciada por aquelas bandas, tinha aberto, à sociedade com um general indonésio, uma casa de diversão nocturna que tinha alcançado grande fama e grande êxito entre os locais e também entre os embarcadiços que rumavam aquelas remotas paragens.

A calma e ponderação do Mestre Tobias eram proverbiais, também os favores que lhe devíamos o eram, e rapidamente pôs fim à querela ali gerada, e fomos todos juntos assistir a um espectáculo de danças e massagens orientais.


1 comentário:

Luis Avelino Silva Rodrigues disse...

Comandante Vasco de Aragão, permita-me dizer-Lhe que é uma verdadeira inspiração aqui ao "je" e será também, sem dúvida alguma, para muitos outros amantes das suas passagens marítimas ou piscatórias que muito hábilmente narra, neste seu "Blog". É um enorme "prazer" ler as suas passagens pelos 7 mares. Um bem haja e por favor vá actualizando o seu "blog" que, de uma ou d'outra forma o tento divulgar. Abraço. Luis Rodrigues